ENTREVISTA SOBRE INDÚSTRIA FARMACÊUTICA, LOBBY ECONÔMICO E HOMEOPATIA

21-02-2016 14:17

Entrevistado por Giuliana Aparecida D'Agosto, 21 anos, aluna do 7* semestre de Jornalismo pela FIAMFAAM. Atua como assessora de imprensa na Communica Brasil - Comunicação Integrada.

 

O que anda fazendo, na sua visão de sociólogo, a população se 'distanciar' dos tratamentos convencionais e o que isso acarreta à sociedade?

No meu entender é um cuidado maior da população com a saúde no que tange à prevenção. Práticas de esportes, alimentação saudável ajudam a evitar doenças graves e propiciam uma melhor qualidade de vida. Fora isso,  há uma gama maior de informações disponíveis hoje sobre tratamentos alternativos. Essa mudança de escolhas passa, sem dúvida, pela educação.

 

A Homeopatia é um meio viável à sociedade do século XXI?

Não dá para afirmar categoricamente isso. Alternativas naturais de tratamentos de doenças estão surgindo, ou sendo retomadas, no entanto, é inegável o poder econômico e político que os grandes laboratórios farmacêuticos tem, influenciando, inclusive, políticas públicas de “medicamentos genéricos” (mais baratos) – como ocorrida no Brasil –, mas que não fogem às regras de beneficiamento desses conglomerados. Contudo, para o século XXI, faz-se necessário mecanismos alternativos de tratamento da saúde mais naturais, pois a humanidade adquiriu conhecimento para isso. Esses mecanismos vão de encontro com os interesses dos grandes laboratórios.

 

O catolicismo veio por muitos anos dominando a sociedade e seus preceitos de certo e errado, com a chegada do protestantismo houve uma abertura às outras religiões surgirem, claro que isso levou anos e séculos pra acontecer, porém com a chegada de novas ideias, o mundo vive uma situação mais, digamos que ''sustentável''. Você acha que essa situação levou a população explorar mais o assunto por conta de algumas religiões e filosofias de vida pregarem tal ato?

No meu ponto de vista, não há uma relação direta de uma coisa com a outra. Porém, a sociedade moderna capitalista abre a possibilidade das pessoas terem a liberdade de escolha para todos os assuntos, inclusive para sua vida, buscando alternativas mais naturais no cuidado da saúde.

 

Ou talvez estamos nos espelhando em nossos ancestrais, os índios e utilizando mais nossos recursos naturais?

Não estamos nos espelhando diretamente. Mas, a partir do momento que o Homem conhece – através da Ciência – o mundo a sua volta, ele aprende a usar recursos naturais no seu dia a dia, desde a alimentação até o tratamento de algumas doenças. A História no ensina.

 

Por fim, o que você acha de tudo isso?

É inegável que hoje há grupos na sociedade que são contra os medicamentos convencionais e buscam alternativas mais naturais, sustentáveis de tratamento da saúde. Por outro lado, há interesses econômicos e políticos dos grandes laboratórios farmacêuticos que ditam as regras sobre políticas públicas dos Estados. Assim, a grande questão é ter consciência de que é um conflito, uma luta e, como tal, vencerá quem tiver mais força e influência perante os atores sociais e políticos com poder de decisão. Com essa afirmação não quero desacreditar os movimentos alternativos, mas apenas alertá-los que a sua luta é a ponta de um iceberg que vai de encontro aos interesses do grande capital na área da saúde.

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