HOMEM: CONTROVERSO ATÉ O SEU ÚLTIMO SUSPIRO

11-09-2017 14:39

“A tais alturas do mal os homens são levados pela religião” (Lucrécio)

A atividade política, principalmente os atos formais que dizem respeito às diretrizes públicas em escala ampliada, são inúmeras vezes alvo de críticas por parte da maioria das pessoas que esboçam reações explícitas de descontentamento. Nada mais natural do que revoltar-se contra o que nos causa desconforto, para buscarmos um estilo de vida oposto. Porém, esse novo estilo de vida, somente é atingido por meio de dois caminhos, as reformas (que na prática são mais complicadas de serem realizadas), e as revoluções, que apesar de ser o método mais viável de conduzirem-se alterações significativas (quem sabe alterações não somente nacionais, mas “universais”), apresenta no momento de seu curso prático normal, algumas contradições que poluem “insensivelmente” a intenção daqueles que almejam a mudança, inebriando certas vontades conservadoras de que tudo permaneça como está (como vem sendo).

Como citado, são críticas em cima de críticas, que disponibilizam aos terceiros (os que observam os debates) uma compreensão um tanto paradoxal a respeito das intenções, métodos e vontades de conquistas dos candidatos, que continuamente insistem em suas candidaturas, com vitórias, às vezes conseguidas, ou nem sempre atingindo êxito. Todavia, os eleitores inevitavelmente encontram-se num caminho que possui claramente (não obscuro de ninguém!) dois extremos bem definidos, e não são extremos ideológicos, são extremos contraditórios que causam confusão na faculdade racional de qualquer um. Da mesma forma como um “teste de lógica” causa estranheza no início de sua resolução, mas progressivamente vai adquirindo sentido devido um aumento na adaptação do avaliado. Com o eleitor ocorre exatamente o mesmo. Estes não conseguem saber com nenhum grau certo de acurácia, se depositam sua “confiança” no candidato “X”, pois este, como na linguagem do vulgo, parece ser o “menos pior” (melhor), ou se o repelem, porque estão impulsionados a acreditar que seu discurso na verdade é feito para obnubilar suas reais intenções.      

A partir de uma realidade política (e com certeza, psicológica) conflituosa, é que surgem as críticas dos terceiros, dos observadores, aqueles que assistem a tudo, voltadas para tentar desmascarar os pretensos elegíveis e suas farsas “malignas” objetivadas a destruir a sociedade. É exatamente a reação desconfortante descrita no início do presente texto que serve de impulso para as “grandes” e “profundas” revoluções. E por que revolução? Porque a necessidade de encontrar nesta vida afirmação pessoal, por parte de cada indivíduo dentro da sociedade, as relações de ação e reação provocadas pela própria interação em si, além de variáveis socioeconômicas, e inúmeras outras razões, só encontram vazão na atividade revolucionária que detém a capacidade total de provocar mudanças radicais, onde o menor número de envolvidos, mesmo enfrentando as mais diversas circunstâncias que lhes imponham os mais variados tipos de dificuldades, ainda sim, é a maior força. Seja esta força, um elemento metafórico que produza os atos previamente esboçados e planejados, ou mesmo, que se refira a uma inspiração desencadeada mediante um fracasso do pontapé inicial repleto de dissabores. Reformas políticas, definitivamente, perante tudo o que foi descrito, significa muito pouco, além de não mudarem absolutamente nada, mantendo apenas o que já existe.

 As críticas aos políticos por parte da população são totalmente racionais, precisas e fundamentadas, mas ainda sim, têm problemas crassos que as podem levar a destruição, inutilidade e, em geral, ineficiência dos argumentos. Quando se critica a política, por permitir o uso de métodos de “manipulação” de massa, esquece-se que não é somente na política que isso acontece. Um exemplo, talvez muito óbvio (ou não! Por incrível que pareça, para alguns!) de onde ocorre algo semelhante, senão de igual valor, é na religião. A venda da fé ao longo da história da humanidade, as indulgências permitidas por parte da Igreja Católica (hoje em dia nem é mais a Igreja Católica que pratica isso com tanta intensidade!), a venda de relíquias usadas na tentativa de corroborar a fé (e novamente a Igreja Católica não é a única hoje em dia a fazer isso!) e crença cega na sobrenaturalidade de um Deus fictício (que definitivamente, nunca foi, não é e nunca será todo o poder. Pelo contrário, é a clara representação da falta deste poder!). Dentro do contexto, a própria crença em Deus constitui o método de “manipulação” de massa mais eficaz que já se observou. Os fatos realmente representam “fenômenos” imbecilizatórios em escala “industrial”. Todos os cristãos ao sentar-se no banco de uma igreja, representam algo parecido com várias peças empoeiradas e fora de circulação, na parte mais profunda e esquecida de estoque de uma loja que está prestes a falir! Guardados permanecerão, até um dia decida-se por jogá-los fora, pela razão de se encontrarem obsoletos demais! Assim são os cristãos que criticam a política, seus métodos e esquecem-se da própria “doença hereditária”, da qual, são todos praticamente incuráveis!

No caso da população brasileira, onde a maioria é teísta, seja católica ou protestante, a hipocrisia é ainda mais transparente do que nos outros lugares. Descontentam-se com a conduta “imoral” e com a falta de “ética”, e na igreja buscam um mundo do “além” onde tudo irá melhorar (ou piorar). O nome disso parece familiar, até mesmo para os próprios cristãos. Narcótico, consolo seguido compulsivamente de fraquezas e esperanças, bebida alcoólica, droga ilícita (ou lícita!). São estas condutas que carecem de denúncia, que prejudicam de maneira direta, os que estão verdadeiramente engajados e compromissados com a atividade revolucionária.

Portanto, a política só será a atividade racional onde o homem se manifesta, uma atividade superior do seu caráter mais refinado e desenvolvido, se o próprio homem mudar sua conduta e deixar de envolver sua utopia de “mundos do além”, desencadeadas na grande maioria das vezes, por mágoas e irrealizações internas de sua própria personalidade, deixando de atrapalhar a todos os que de fato, preocupam-se com o espaço coletivo em que nós vivemos. E diriam mais, urgentemente, revisitarmos os conceitos que dizem respeito à “ética”, sobre quais atributos a vida tem que possuir para ter valido a pena ser vivida, e à “moral”, sobre quais as devidas formas de se julgar se a ação de um sujeito é passível de ser repreendida (mal) ou louvada (bem), ou se ainda é necessário fazer esse julgamento, e não abolir de uma vez por todas o conceito de moralmente “correto”. Pensado assim, libertar-nos-emos dos grilhões do cristianismo, e de muitas outras chagas que compartilham de princípios similares.

 

Autor: Engel

Engel é um pensador! Um “pensador autônomo” e não “autômato”. O que isso significa? É óbvio que todos nós, humanos e seres sociais, somos influenciados pela história e pelo meio em que vivemos e, também, influenciamos diretamente nele. O que, por si só, coloca em dúvida a questão da “autonomia de pensamento”. Pois bem. A expressão “pensador autônomo” é aqui utilizada para enfatizar que Engel procura fugir (Se possível.) da superficialidade das “ideias verdadeiras”, investigando-as, contextualizando-as e refletindo sobre a originalidade e o impacto delas nos tempos atuais, à revelia do que há de hegemônico no mundo contemporâneo: o “pensamento autômato”, com absorção e reprodução sem a devida contestação. É a esse rigor de produção de conhecimento que se propõe o jovem intelectual provocador.

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