SOB A SOMBRA DO IMPEACHMENT - ANÁLISE SOCIAL DE UM BRASIL CADA VEZ MAIS COLONIAL

07-04-2015 22:25

Entrevistado por Giuliana Aparecida D'Agosto, 21 anos, aluna do 7* semestre de Jornalismo pela FIAMFAAM. Atua como assessora de imprensa na Communica Brasil - Comunicação Integrada.

 

O cenário político esperado para 2015 é de muita instabilidade no plano econômico. Os sinais mais claros são vistos no âmbito profissional, por parte de investidores, economistas, empresários e a população.

O consumo das famílias vive um momento de desaceleração, tanto pelo fim dos programas de incentivo ao consumo quanto pela menor oferta de crédito. Vem daí parte da insatisfação que gera os protestos iniciados no ano passado e endossados pelo início da Copa do Mundo.

A retração da indústria, à inflação e à baixa taxa de investimentos, criou um cenário de crescimento pequeno. Em 2013, o Brasil cresceu 2,5%. Média menor do que a apresentada pelo mundo (3%), pelos países emergentes (4,7%) e pela própria América Latina (2,7%). E em 2014, o fechamento do ano foi de 1.9% de crescimento.

Para avaliar essa onda de manifestações, entrevistamos, num bate papo, o Sociólogo formado em Sociologia e Política, pela FESPSP e Professor da rede pública de SP, Kassiano César de Souza Baptista.

 

Alguns empresários e economistas, no final de 2014, chegaram à conclusão de que 2015 não seria um bom ano para a economia brasileira, devido a isso, o governo federal vem fazendo uma série de ajustes fiscais em todo o âmbito governamental. Como você vê esse ajuste afetando a população?

Dilma está sendo obrigada a fazer políticas de austeridade econômica, que foi segurada ao máximo ano passado durante o pleito eleitoral. Medidas duras que desabam nas costas dos trabalhadores e menos favorecidos.

 

Percebemos uma insatisfação populacional, principalmente nas classes mais abastadas da região sudeste do país. Você acredita que só isso basta para afastar a presidente do cargo?

Não acredito!

 

Como você avalia o caso do “Impeachment” que alguns pedem?

Desenvolvendo a pergunta anterior, vejo da seguinte forma: Um impeachment nesse momento da História brasileira é impensável. Seria como se jogássemos fora toda luta em prol da nossa democracia e, principalmente, estaríamos desacreditando das nossas instituições democráticas. No entanto, como nada na política e na sociedade é mutável, não podemos ignorar totalmente esses movimentos de insatisfação.

Para se validar um impeachment, deverá ser comprovado algum crime político cometido pelo líder enquanto está no mandato. Neste caso, então, não seria válido haver um impeachment só por conta das manifestações e a insatisfação popular?

Exato. É uma conjunção de fatos e não apenas um isoladamente. Uma comprovação de crime por parte da mandatária é um fato que tem um “efeito-bomba”, para acarretar pedidos de impeachment. No entanto, faz-se necessário deixar bem claro que não existe nada comprovado até p presente momento. Apenas delírios das vontades...

 

Caso haja, o líder é afastado do cargo, mas quem assume seu lugar é o vice, não havendo novas eleições, neste caso o Michael Temer ou o Eduardo Cunha podem assumir em seu lugar. Como você vê esse discurso de ódio contra a presidenta?

O espaço é pequeno para desenvolver esse tema, mas tentarei ser sucinto e claro. No meu entender, esse discurso de ódio é um conjunto de coisas. Você tem a redução da desigualdade social recente e a entrada de pobres em ambientes que, antes, era impossível de se pensar, a chamada – termo complexo que esconde muitas divergências – “nova classe média” e, consequentemente, o preconceito da classe média - sempre a mais conservadora e parasitária, pois ascendeu de uma pobreza geracional anterior, mas não consegue galgar postos na elite, sendo assim, uma classe parasitária, nos termos do filósofo alemão Karl Marx. Soma-se a isso, o discurso de ódio da grande mídia tucana, contra o PT.

 

Essa onda de ódio ao partido e, principalmente, à Dilma tem gerado várias discussões referentes à xenofobia contra nordestinos, como você avalia esse autoritarismo da população?

Como um exemplo de como o nosso preconceito tem raízes culturais e históricas difíceis de desvencilhar do caldo cultural. Um traço trágico da sociedade brasileira.

 

O coronelismo é, em partes, muito forte, ainda, na capital paulista; como você avalia o pedido da população para a volta da ditadura militar, um período tão tenebroso para a população?

Um retrocesso tremendo e uma tremenda “idiotice histórica”.

 

Você vê algum interesse da parte dos partidos de oposição que a Dilma seja retirada do cargo mesmo após declaração dada recentemente, no site ‘VALOR’, do ex-presidente, Fernando Henrique? Ele disse que não vê grandes vantagens para que ela saia ‘’não adianta nada tirar a presidente; Não quero o Brasil presidido pelo Temer’’.

No meu entender, foi como citei cima, um impeachment na atual conjuntura é ir contra o “estado democrático brasileiro” e colocar em xeque as instituições democráticas, abrindo margem à nostalgia militar...

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