UMA TRAVESSIA PELA CATEDRAL DE MARIO VARGAS LLOSA

23-07-2015 00:43

Dois Homens, duas personagens de classes sociais diferentes se reencontram casualmente no Peru e decidem colocar a “conversa em dia”. Esse é o enredo central do livro “Conversa na catedral”, de 1969, do escritor peruano Mario Vargas Llosa; e é num boteco (nominado catedral) que transcorre a história. História no sentido mais amplo do conceito, pois, a partir de uma conversa entre Santiago Zavala, o Zavalita, filho da elite branca e proprietária – algo comum na América Latina – e Ambrosio, o motorista da família, negro e cholo (expressão para designar/classificar uma pessoa de classe social mais baixa), é possível apreender a história social do Peru na primeira e segunda metade do século XX, sob o ponto de vista da vida política, econômica e cultural e suas inter-relações.

Todavia, foi uma travessia. Lê-lo nas suas exatas 791 páginas não foi das tarefas a mais fácil, pois Llosa tem uma “escrita teatral”. O que eu entendo por isso? É o tipo de narrativa no qual acontecem, simultaneamente, parágrafo por parágrafo, várias cenas com diferentes personagens, em tempos históricos distintos. Para uma encenação teatral, para uma película cinematográfica acredito que seja mais apropriado, mesmo com ressalvas. No entanto, tratando-se de um livro o desafio é hercúleo, muitas vezes deixando a leitura cansativa, pois o assunto abordado é denso, exigindo constantemente do leitor um comprometimento, uma memória, uma fidelidade com a história oral que as personagens vão relatando. É nisso que me baseio para comentar que esse livro é um dos grandes legados deixados para a humanidade, mostrando, sob o olhar de personagens reais, uma parte da história do Peru e de sua cultura.

 

Referência

Livro: Conversa na catedral

Autor: Mario Vargas Llosa

Assunto: Literatura estrangeira

Idioma: Português 

Ano: 1969

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