CARTA AOS JOVENS ELEITORES

12-11-2020 13:53

No mês de novembro de 2020 ocorrerão as eleições municipais brasileiras - Prmeiro turno (15/11) e Segundo turno (29/11). Tais eleições são de extrema importância pois tentam responder aos anseios mais imediatos da população sobre a sua vida cotidiana. São nas cidades onde as vidas das pessoas existem, de fato, e conferem a elas um sentimento de vínculo e pertencimento: bairros, comunidades, vilas, etc...

Diferente dos pleitos anteriores, as eleições municipais deste ano acontecem no meio de uma pandemia de covid-19, onde o distanciamento social foi adotado em várias cidades com o objetivo de tentar frear o aumento avassalador do contágio da doença, já que não há uma vacina eficazmente comprovada até o momento. Por outro lado, uma das consequências mais nefasta da pandemia é a crise econômica e social – não causada por ela, mas fortemente impulsionada pela mesma.

Sendo assim, pandemia de covid-19, crise econômica, aumento do desemprego, crise social, juntamente com governos neoliberais de direita que somente visam os lucros dos grandes empresários e agentes financeiros – basta “jogarem no google” para saberem o quanto os “mais ricos” aumentaram suas fortunas no Brasil e em outros ´países -, formam o caldo cultural no qual serão escolhidos os próximos prefeitos e vereadores das cidades brasileiras.

Pesquisas e conversas com jovens eleitores mostram que o desencanto com a política e com os políticos é fortemente presente nessa faixa etária. Não estou aqui para enumerar causas que respondam a isso, mesmo porque é sabido por todos que a política representativa dentro de uma sociedade capitalista possui limites impostos pelo mundo do capital. Porém, “não existe vácuo em política”. Se nós, trabalhadores, jovens e moradores das periferias, principalmente, “largarmos mão” da luta política afirmando coisas do tipo: “Político é tudo igual!”, faremos o que a classe dominante deseja. Quando os trabalhadores e os mais pobres, particularmente os jovens, se desencantam com a política, deixam o terreno vago para que a classe dominante faça o que ela sempre quis fazer: escolher os seus candidatos, sem correr o risco de uma candidatura popular que tensione o jogo político e econômico das frações da elite brasileira.

Por isso, sabedor dos limites da política representativa na sociedade capitalista, peço encarecidamente aos jovens que não desistam da política. Nessa eleição pesquisem a função de prefeitos e vereadores dentro do jogo político capitalista, busquem candidaturas que atendam aos interesses da classe trabalhadora e pobre e votem. Reafirmo, a “política representativa não faz revolução”, mas a “gestão das mazelas sociais” podem ser amenizadas. Faz parte daquilo que muitos estudiosos das Ciências Sociais, dentre eles o pensador húngaro István Mészáros, entendem por “mediações políticas”, limitadas, porém, necessárias.

Enfim, ao votarem no próximo domingo não esqueçam o RG, o Título de Eleitor, uma Caneta – devido à pandemia -, mas, principalmente, não esqueçam da sua CONSCIÊNCIA DE CLASSE E DO SEU LOCAL DE ORIGEM E DAS PESSOAS PRÓXIMAS A VOCÊS.

 

Boa eleição.

 

Por Kassiano César de Souza Baptista

 

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